
Avaliando os cds que andei comprando ultimamente (na loja de usados, claro), vejo que os dois primeiros discos do Superdrag foram os que mais caíram no meu gosto. Uma compra arriscada que se revelou um negócio da China, já que eu conhecia apenas uma música do grupo. Superdrag é um quarteto de Knoxville, Tennessee, que se encaixa no estilo de bandas como Husker Du, Replacements e Pixies, combinando a estridência punk com melodias em profusão. Ou seja, é praticamente aquilo que eu mais gosto de ouvir: power pop. Não surpreende, portanto, que uma de suas influências admitidas seja o Big Star, lendária banda, também do Tennessee, liderada por Alex Chilton (com quem o vocalista John Davis é constantemente comparado pelo estilo visceral). Também entram nesse melting pot: Beatles, My Bloody Valentine, Dinosaur Jr, Teenage Fanclub, Weezer...
Lançado em 1996, Regretfully Yours é a espetacular estréia do grupo numa grande gravadora e contém seu único hit, Sucked Out, cuja letra, aliás, revelou-se quase profética:
Look around, could it bring somebody down
If I never made a sound again?
In your eyes you've already spread my thighs
And you're rocking to the next big thing
Kissing the bride, 45 minutes a side
This was my dream - played out rocking routine
Who sucked out the feeling?
Where'd you go now that everybody knows
And we did a couple shows out there?
Look at me, I can write a melody
But I can't expect a soul to care
Kissing the bride, 45 minutes a side
This was my dream - played out rocking routine
Who sucked out the feeling?
Admito que ao escutá-lo pela primeira vez fiquei meio cabreiro com tanta música ganchuda, mas acabei desencanando. É um daqueles discos em que você não precisa ficar pulando faixa. Quem gosta de um som calcado em guitarras não pode reclamar, há um festival de riffs complementado pela mão pesada do ótimo baterista. Alguns destaques: Phaser, Cynicality, Destination Ursa Major, What If You Don’t Fly, Garmonbozia, N.A. Kicker e Nothing Good Is Real.
Lançado em 1998, Head Trip In Every Key não fugiu à maldição que sempre ronda o segundo disco. Evitando repetir a fórmula usada em Regretfully Yours, o grupo adotou um estilo mais sombrio nas composições. Resultado: fracasso comercial (o primeiro vendeu de forma razoável), apesar das críticas positivas, e conseqüente chute da gravadora. Mas a antiga exuberância pop ainda pode ser encontrada em músicas como Hellbent, Sold You An Alibi e Do The Vampire. Outros destaques: I’m Expanding My Mind (parece saída do Howdy! do Teenage Fanclub), Amphetamine, She Is A Holy Grail e The Art Of Dying.
De lá pra cá o Superdrag lançou mais dois discos de forma independente, In The Valley Of Dying Stars e Last Call For Vitriol, os quais infelizmente ainda não escutei. Mas tomara que alguém resolva desová-los lá na loja de usados.